sábado, 15 de janeiro de 2011

Se você gritasse

Maria, se você gritasse,
Gritaria no escuro da noite
O silêncio da manhã
Como quem grita calado.
Sem saber para onde ir
Grita no seu próprio silêncio
Aquele que está no fundo da garganta
E, de repente,
Salta para fora da boca.
Como quem não quer nada,
Que apenas não tem o que dizer,
Grita cada vez mais.

Silêncio, Maria,
Silêncio, Maria,
Grita Maria,
Faça o que quiser
O que  tiver vontade,
O que lhe vier na cabeça.
Grite mais e mais.
Cada vez mais.
Agora se cale.
E escute o silêncio da sua voz,
Por entre o grito das criancinhas,
Que são felizes por gritarem.
Gastam seu tempo gritando
Para exibirem suas vozes.

E você, Maria?
Grita pra quê?
Pra expressar seus sentimentos como:
Amor,
Ódio,
Alegria,
Tristeza,
Revolta,
Carinho,
Dor,
Ou só por gritar?
O que é o silêncio?
O vazio entre suas cordas vocais
Que chega ao extremo.
Quando muito calada
E se revolta
Ao fazer o grito
Uma coisa insignificante.

E o grito?
Qual sua função?
Irritar as pessoas?
Não,
Não pra isso,
Não só pra isso.
Para alegrar multidões?
Não sei,
Gostaria de saber...
Mas é mais que isso,
Muito mais...
Maria, o silêncio,
O grito.
Tanto faz.
Eu só quero é ser feliz.
Mas como?
Fico feliz só de ouvir sua voz.
Agora chega, cala a boca!
Escrito pela minha amiga Rafaella,
que tem o dom de escrever coisas
brilhantes ainda assim achando horríveis.

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